Viver o Hoje, Confiar em Deus

Meu nome é Daniele Müller, nasci em Marília, interior de São Paulo, e eu sempre acreditei que Deus conduz cada […]


Meu nome é Daniele Müller, nasci em Marília, interior de São Paulo, e eu sempre acreditei que Deus conduz cada detalhe da nossa caminhada, mesmo quando não entendemos os motivos. Quando minhas filhas ainda eram pequenas, me mudei para Araçatuba com meu esposo, e vivemos ali por doze anos. Minhas meninas cresceram praticamente como verdadeiras araçatubenses. Levávamos uma vida tranquila, cheia de sonhos e planos para o futuro. Até que, em 2022, tudo mudou.

Naquele ano, descobri um nódulo no meu seio. Fiz os primeiros exames e, para minha tranquilidade, nada foi constatado. Mas meu esposo ficou inquieto, sentindo que algo não estava bem, e insistiu para que eu repetisse tudo, e hoje reconheço que foi Deus usando a vida dele para me alertar. Quando refiz, veio o diagnóstico que transformaria completamente a minha história: adenocarcinoma agressivo.

Quando recebi o resultado da biópsia, meu chão balançou. Nesse meio-tempo, ao abrir uma rede social, dei de cara com um post da missionária Elizabeth sobre a revista Mulheres de Honra. Na hora, senti que precisava falar com ela. Mandei mensagem, e ela me acolheu como alguém que já conhecia minhas dores. Conversamos bastante; suas palavras me acalmaram de um jeito que só quem já trilhou o mesmo caminho consegue fazer. Ela pediu meu endereço e disse que enviaria algumas edições da revista.

Pouco depois, recebi as seis primeiras edições da revista Mulheres de Honra. A que mais mexeu comigo foi a segunda edição: “Da Morte para a Vida”. Ali encontrei testemunhos de mulheres que passaram pelo câncer de mama, venceram e estavam enfrentando processos tão parecidos com o meu. Entre as histórias, reconheci até pessoas da Igreja Evangélica das Nações, de muitos anos atrás. Cada página parecia uma resposta direta de Deus, reacendendo a fé que eu achava ter perdido.

Iniciei o tratamento: primeiro a quimioterapia, depois a mastectomia radical e, por fim, a radioterapia. Cada etapa exigiu coragem, paciência e uma fé que eu nem imaginava ter. Em todos os momentos, Deus me fortalecia e colocava pessoas que nos ajudaram de formas que jamais esquecerei.

Como todas as etapas eram em Marília, nossa rotina virou de cabeça para baixo. Meu esposo continuava trabalhando em Araçatuba, minhas filhas estudavam lá, e eu passava a maior parte da semana sozinha, viajando para os tratamentos. A família ficou dividida entre duas cidades, cansaço, saudade, medo e incertezas eram constantes. Mas a fé sempre sussurrava ao meu coração: “Filha, você não está sozinha.”

Depois de muito tempo vivendo assim, entendemos que voltar para Marília seria a melhor escolha. A mudança mexeu com todos nós: meu esposo precisou trocar de trabalho, minha filha mais nova teve que mudar de escola, e atravessamos um período inteiro de readaptação, emocional, financeira e familiar.

No meio dessa fase delicada, veio mais uma dor: minha filha mais velha decidiu sair de casa por rebeldia. Foi uma ferida profunda para uma mãe que já estava lutando pela própria vida. Não é fácil ver um filho seguir um caminho que não sonhamos, mas continuamos em oração e aprendemos a lidar com essa ausência dia após dia.

Com o tempo, conseguimos nos organizar novamente. Nos estabelecemos em Marília, compramos uma casa e, pela primeira vez em muito tempo, a vida parecia entrar nos trilhos. Até que, em agosto deste ano, durante uma consulta de rotina, surgiu outro nódulo, no mesmo lado onde já tinha sido feita a cirurgia. A médica pediu novos exames, uma biópsia e, por fim, um PET scan em São Paulo.

O resultado veio como uma pancada: o câncer havia voltado com várias metástases. Ele estava no meu pescoço, nas axilas, na mama já retirada, no fígado, na pelve e em alguns pontos dos ossos. Foi outro vale profundo, outro momento de lágrimas e silêncio. O líquido da pelve acabou migrando para o meu pulmão, e precisei ficar internada por uma semana. Mesmo assim, eu sentia Deus me sustentando, mesmo quando minhas forças físicas estavam no limite.

Durante essa internação, Deus falou profundamente comigo. Uma frase ficou marcada no meu coração: “Eu só tenho hoje. O amanhã não me pertence.” E desde então, vivo com esse entendimento. Faço o meu melhor hoje. Entrego o meu melhor hoje.

E a verdade é que as pessoas ao meu redor conseguem ver isso. Não é sobre força própria, porque, se dependesse só de mim, eu teria desmoronado há muito tempo. É o Espírito Santo que me sustenta. Muitas vezes, enquanto espero atendimento no hospital, alguém se aproxima e pergunta como eu consigo estar tão bem, tão em paz, tão sorridente. E minha resposta é sempre a mesma: é Deus quem me dá forças.

O amanhã eu não sei. Não sei o que vai acontecer, não sei quanto tempo tenho. Mas enquanto eu tiver o hoje, vou testemunhar que é o meu Deus que me mantém de pé.

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